Ao derrubar barricadas atribuídas ao Comando Vermelho em João Pessoa, Renan Santos não está apenas produzindo uma imagem de enfrentamento ao crime organizado. Politicamente, ele está tentando comunicar uma mensagem muito mais ampla: segurança pública deve ser uma das prioridades da nova geração.
A estratégia dialoga diretamente com uma parcela da juventude que cresceu acompanhando o avanço das facções, a violência nas periferias e a sensação de que determinados territórios estão cada vez mais dominados pelo crime. Ao transformar a retirada das barricadas em uma cena pública, Renan busca associar sua imagem à ideia de “ação”, e não apenas discurso.
A juventude como público estratégico
O ponto central da comunicação de Renan é apresentar o combate ao crime como uma pauta geracional. Para esse eleitor, a segurança não aparece apenas como uma discussão policial: ela está relacionada à liberdade de circular pela cidade, estudar, trabalhar, empreender e construir uma vida sem a presença constante da violência.
É justamente aí que a estratégia política ganha força. Renan tenta falar com uma juventude que quer mudança, mas também quer autoridade do Estado e retomada dos espaços públicos.
A imagem das barricadas funciona quase como uma metáfora: de um lado, o território ocupado pelo crime; do outro, o Estado dizendo que aquele espaço pertence à população.
Uma comunicação política baseada em símbolos
Na política contemporânea, imagens muitas vezes comunicam mais rapidamente do que discursos de vários minutos. Renan parece compreender isso.
Em vez de simplesmente afirmar que é contra as facções, ele procura construir uma imagem que permita ao eleitor visualizar o que significa combater o crime organizado.
A mensagem eleitoral é simples e direta: “se existe uma barricada impedindo a população de circular, ela precisa ser retirada”.
É uma comunicação especialmente adequada às redes sociais, onde cenas fortes e facilmente compreensíveis conseguem gerar identificação, compartilhamento e debate.
O que Renan quer ocupar no debate eleitoral
A leitura política é que Renan Santos tenta ocupar um espaço específico: o de uma candidatura que coloca segurança, combate às facções e retomada dos territórios entre suas principais bandeiras.
E, ao direcionar essa comunicação para a juventude, ele tenta transformar segurança pública em uma espécie de pauta geracional.
Mais do que falar apenas para quem já possui uma opinião formada sobre segurança, Renan busca convencer jovens que talvez estejam procurando uma nova referência política e que enxergam o combate ao crime como condição básica para ter liberdade, oportunidades e futuro.
A barricada, nesse sentido, vira símbolo. Renan quer que o eleitor enxergue nela não apenas uma estrutura física, mas aquilo que sua candidatura promete combater: a presença do crime organizado onde deveria existir a presença do Estado.

